
Há exato um ano atrás parte do meu coração foi enterrado junto contigo. Um pedaço da minha vida e origem se foi naquele caixão. Por tantas vezes me perguntava o porque da sua partida, eu precisava que estivesse em vida ao meu lado como sempre foi, mas a senhora apareceu através de sonhos sorridente e dizendo que estava tudo bem. Ninguém sabe, mas há alguns meses atrás dormi na sua casa em uma noite de forte chuva, lá na sala, a senhora apareceu pra mim em forma de uma luz! Eu sinto tantas saudades de telefonar no dia do seu aniversário, de levar os presentes das minha viagens, de natal, de assistir e comentar as novelas mexicanas, de almoçar, tomar café, tirar fotos, rir de tudo e de todos. Tenho carência da sua voz me chamando de Juninho, das histórias de quando vocês eram crianças, das suas revistas do Avon, de ver a senhora se arrumando para sair sempre tão arrumada, mostrando as fotos das suas viagens e congressos, falando do Zé e do Gamarra, trocar as palavras de lugar nas frases, de dizer que estava tudo bem quando na verdade não estava. Eu sem saber sempre fiz o certo de passar parte do meu tempo aí com vocês, desde muito pequeno. De acompanhar em tudo que era lugar, independente do que era. De visitá-la em todas as minhas idas a Caxambu, sem falhar em nenhuma, independente do horário. De ter fugido uma vez de casa para a sua, de me proteger quando não ia de acordo com meu pai, de estar presente em toda minha, inclusive na defesa do meu TCC.
Eu me lembro do nosso último contato, foi no dia das Mães do ano passado. Estava de partida juntamente com a Tia Marly para uma semana no sul do país e ainda de quebra conheceu mais dois países. Eu estava tão feliz por vocês e as duas radiantes! Tinha cortado o cabelo, estava com uma calça preta e camisa cinza, colar e brincos. E a bolsinha que sumiu? Estou rindo aqui. Como a gente não prevê o futuro, eu teria feito de tudo para ter ido nessa viagem com vocês, assim como tínhamos planejado no futuro, teríamos aproveitado e muito.
Peço desculpas por escrever um ano após que a senhora se foi, não está sendo nada fácil, é muito difícil, mas é minha obrigação como sobrinho e afilhado te homenagear e te lembra em todos os dias dessa caminhada. Eu te amo e serei grato por todos os beijos, abraços, colos, puxões de orelha e amor dedicado por nossa família, Bernadete Maximiano da Silva.
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