Postado por: Giro do Wal sexta-feira, 10 de abril de 2020

A coluna Corona em Foco recebe hoje o trisal Alcir, Gabriel e Ednaldo que conta o fato de terem sido infectados pelo Coronavírus. No começo de Março os três saíram de férias de Florianópolis com destino para Maceió e depois o Rio de Janeiro. Ao retornarem para casa começaram os primeiros sintomas. No relato que foi enviado para essa publicação no dia 4 de Abril, eles contam o passo a passo das viagens, exposições e o período do isolamento em casa. 




Em meados de Dezembro de 2019 resolvemos que faríamos uma viagem, essa que seria a nossa primeira juntos, comemorando nossa união e também porque seriam as férias anuais do Ed. No final de Janeiro já tínhamos tudo pronto, roteiro dos passeios, passagens compradas e hotéis reservados e a data confirmada para o dia 06/03.
O primeiro destino seria Maceió. Saímos de Florianópolis no dia 06/03 e tudo ainda estava de forma normal. O Corona vírus pra gente era uma epidemia ainda restrita à China. Fizemos conexão no Aeroporto de Guarulhos, onde estranhávamos ao ver pessoas com máscaras, luvas e etc.
Fizemos uma ótima viagem, passamos dias incríveis em Maceió, que por sinal é um passeio que super indicamos, tudo é muito lindo por lá. Por estar curtindo intensamente o passeio, estávamos um pouco distante da realidade que estava acontecendo no mundo e se aproximava do Brasil. Lembro (Alcir) que o Ed começou a ler muito sobre o que estava acontecendo e eu dizia para suspender de ler esse tipo de leitura, que a meu ver, até ali, era algo distante. E assim passamos 6 dias muito tranquilos até o dia de iniciarmos a viagem para o segundo destino, que seria o Rio de Janeiro. Nosso voo passaria por uma conexão no Recife e no dia 13 após desembarcar no aeroporto do Galeão, já estávamos curtindo a cidade maravilhosa. As praias estavam lotadas! Fomos no Corcovado que por sinal, também lotado de turistas estrangeiros. No dia 14 tivemos talvez nosso primeiro choque quando um dos nossos passeios teria que ser cancelado, pois uma famosa casa noturna que era um sonho para os três conhecer, não estaria funcionando, pois os clientes correriam risco de contaminação em massa. A partir desse sábado tudo começou a mudar, não se falava mais em outra coisa, táxis e transporte por aplicativo já circulando sem ar condicionado e janelas abertas e os motoristas justificando que seria por estarem em sinal de alerta.
Engraçado que ainda tudo parecia distante, nunca achávamos que seríamos contaminados e arriscamos no dia 14/03 a sair e curtir a noite carioca. Provavelmente este seria um possível primeiro contanto que tivemos com o vírus, pois o local era fechado e mais uma vez, lotado de turistas estrangeiros.
Nosso último dia no Rio foi ótimo e na segunda, embarcamos no aeroporto Santos Dumont de volta pra casa, ainda passaríamos por mais um aeroporto, agora o de Congonhas em São Paulo e finalmente nas 18:30 horas chegamos em Florianópolis.
Já no transporte do aeroporto para nossa casa, o motorista ouvia noticiários alertando para o que estava por vir e anunciando o fechamento de toda a cidade para o início de um inédito isolamento social.
Nossos planos passaria por mais uma mudança, pois estávamos pretendo continuar nossa viagem para Foz do Iguaçu, para visitar a família do Ed, mas já avisaram para não irmos, pois as fronteiras do Paraguai e Argentina, destinos planejados, seriam fechadas, assim como os parques da cidade que estavam em nosso roteiro.
Chegamos no apartamento cansados e depois de um banho fomos deitar. Na terça, acordamos indispostos, meu corpo doía, queixa também do Ed e do Gabriel. Comentamos que estávamos com “ressaca” da viagem e tristes por ter chegado ao fim antecipada, mas na realidade, eram os primeiros sintomas que começavam a aparecer.
Na quarta, eu acordei muito mal, tossindo demais e com febre. Logo depois, o Gabriel também acordou queixando-se de dor de cabeça e também com febre, porém o Ed ainda estava bem e dizia que estava ótimo.
Na quinta, foi o dia mais difícil, calafrios, tosse, febre, dor de cabeça, os sintomas são parecidos como os sintomas da Dengue, só que com muita tosse. Nesse dia apareceu os primeiros sintomas também no Ed, e já não tínhamos duvidas que estávamos infectados.
Então ligamos para um 0800 (serviço disponibilizado por nosso plano de saúde) onde falamos com um médico, que confirmou após relatar o nosso estado, estávamos contaminados, porém como não apresentávamos falta de ar, era pra ficarmos isolados em casa e usar apenas medicamentos para dor e febre.
Assim passamos os próximos 7 dias em alerta para um possível agravamento dos sintomas e sem sair de casa, um ajudando o outro, inventando formas de distração para que esse “tempo“ se tornasse mais leve.
Após o décimo dia de isolamento, já apresentávamos uma melhora considerável e os sintomas foram desaparecendo dia após dia.
Hoje é o nosso décimo oitavo dia de isolamento, já nos consideramos completamente curados embora as escadas do prédio ainda causa alguma fadiga, que não causavam antes.
Para finalizar, transcrevo aqui uma legenda de uma das nossas fotos que muito traduz tudo isso que passamos:
“Hoje o dia aqui está lindo, todo “Azul. Saudades de pisar na areia, pegar um sol, jogar conversa fora sentados na praia, como fazíamos todo final de semana. Engraçado sentir saudades de algo que até uns dias atrás era comum, bastávamos pegar o carro e ir. O momento é de reflexão e ser grato as coisas simples, mas cheias de beleza e prazer.”
FOTOS DURANTE O PERÍODO DE ISOLAMENTO





Alcir Trepiche - Arquiteto - 42 Anos
Gabriel Aguilar - Cartorário - 30 Anos
Ednaldo Machado - Analista de Departamento Pessoal - 33 Anos

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