Postado por: Giro do Wal segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Do pão de circo ao circo

“Vamos fazer a cidade virar felicidade
Balão Mágico


Entre os anos de 1840 a 1970, o mundo viveu o chamado Freak Show – em português, Show de Aberrações – que consistiu na exibição de humanos e animais dotados de algum tipo de anomalia relacionadas por vezes a mutações genéticas ou doenças. As mais conhecidas, eram: as mulheres barbadas, casos de gigantismo e nanismo.

Apesar de o mundo ter vencido (em partes) o preconceito, um show de horrores muito maior vem acontecendo em uma pacata cidade localizada ao sul de Minas Gerais. Caxambu, conhecida por suas belezas naturais e suas águas milagrosas, foi esquecida e abandonada: caindo em uma política de pão e circo tenebrosa. Nesse show, havia um parque abandonado, ruas esburacadas, moradores desacreditados e uma economia que girava mais lenta do que uma roda gigante.

Mas, entre os dias 18 e 23 de novembro de 2014, um espetáculo tomou conta do lugar: com luzes coloridas, lonas, palhaços e artistas prontos para reviver os corações caxambuenses. A cidade precisava de um pouco mais de riso. A arte que veio dentro de cada um dos artistas, transbordou em gargalhadas e apresentações fabulosas.

Tive a oportunidade de participar de uma das apresentações e houve um momento inesquecível durante uma delas: No dia 22, fui às 20h ao espetáculo da lona grande – aquela localizada em frente ao ginásio Jorge Curi. O palhaço que conduziu as apresentações, tirou uma senhora da plateia e eles começaram a dançar de modo bem engraçado, por sinal. Nunca havia presenciado um convidado da plateia entrar na brincadeira de um palhaço que nem aquela moça morena fez.

No fim da apresentação, ela beijou a careca do palhaço e o abraçou. Depois, pegou o microfone e contou para todo mundo que ali estava uma história muito triste: seu filho faria 31 anos naquele dia e fora assassinado. Em vez de lamentar a morte do rapaz em casa, preferiu ir ao circo e sorrir. Nessa hora, eu me peguei a imaginar a verdadeira essência do circo enquanto a aplaudia com as outras 799 pessoas sentadas naquelas arquibancadas. Percebi que o mundo não precisa ser tenebroso e que os palhaços assustadores podem ser combatidos: sejam eles quais forem. Se aquela mulher pôde fazer isso, por que nós não podemos também?

O Festival Mundial de Circo conseguiu transformar uma cidade abandonada e desacreditada, em um lugar movimentado e alegre. Sei que teremos essa trupe de volta ano que vem e isso conforta o meu coração. Mas, por que não podemos manter essa alegria o ano todo e convertê-la em melhorias para o nosso povo? Caxambu precisa de circo de verdade, não da política do pão e circo que tem vivido nos últimos anos. Que a alegria nos conduza ao verdadeiro espetáculo que nosso município merece e que o nosso show de horrores – anteriormente citado – tenha um fim.


Gostaria de agradecer ao convite do Walfredo por essa postagem e deixo, com todo carinho, algumas recordações que guardei em fotos pra vocês.

Abraço,

Raphaela Gomes.















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Raphaela Gomes - Jornalista


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