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- Giro Especial(Luto) - José Wilker: Relembre os 50 Anos Dedicados à Arte!
Postado por: Giro do Wal
sábado, 5 de abril de 2014
A carreira do artista cearense se entrelaça à história recente das artes cênicas no Brasil.
Filho de
dona de casa com caixeiro viajante, José Wilker nasceu no interior do Ceará,
cresceu no Recife e mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro. A partir de
então, tornou-se conhecido em todo o Brasil por sua trajetória nos palcos e
telas, à frente ou atrás das câmeras. Morto aos 66 anos por um infarto neste
sábado, 5, o artista nordestino deixa legado que impressiona tanto pela
extensão quanto pelos números.
Em meio século de carreira, Wilker atuou em
cerca de 50 produções na
TV, assinou a direção de quatro novelas — 'Louco amor' (1983) e 'Transas e
caretas' (1984) na Rede Globo, Carmem (1987) e Corpo Santo (1987) na TV
Manchete — e comandou o seriado 'Sai de baixo' de 1996 a 2002. No cinema,
dirigiu 'Cinderela' e 'Giovanni Improtta' (2012), além de emprestar seus
talentos de ator a quase 70 títulos. Aficcionado pela sétima arte, o artista
dizia manter acervo pessoal com mais de quatro mil obras.
A voz grave que tornou-se inconfundível para os telespectadores foi
o motivo do primeiro contato de José Wilker com o mundo artístico. Aos 13 anos,
inscreveu-se na disputa por uma vaga como locutor da TV Rádio Clube, no Recife.
Com timbre incerto pela puberdade, não foi selecionado para os microfones, mas
conseguiu chegar à figuração em encenações de teleatro do canal, que o levaram
a investir na carreira sobre os palcos. Através do Movimento Popular de Cultura
do Partido Comunista, estudou teatro e trabalhou em direção e produção de
montagens no sertão.
A mudança para o Rio de Janeiro, em 1967, tinha
motivação ideológica: aos 19 anos, José pretendia estudar sociologia.
Recém-chegado à capital fluminense, foi envolvido pela efervescente cenacultural e deixou de frequentar o curso,
concentrando-se novamente na vocação para a atuação. Equilibrava a conquista de
papéis cada vez mais expressivos no teatro com oportunidades de crescimento no
cinema.
A primeira ponta em um
longa-metragem aconteceu em 'A falecida' (1965), estrelado por Fernanda
Montenegro; quatro anos mais tarde, já acumulava cinco longas no currículo. Em
1970, aos 23 anos, recebeu o prêmio Moliére de Melhor Ator com a peça 'O
arquiteto e o imperador da Assírai', de Fernando Arrabal.
A revelação do jovem ator chamou a
atenção de Dias Gomes, que lhe abriu as portas para a TV com o personagem
Zelito, de 'Bandeira 2' (1971). Passou a emplacar personagens seguidos nas
telinhas, em trajetória marcada por figuras carismáticas como Mundinho Falcão,
de 'Gabriela' (1975) e o protagonista Rodrigo, de 'Anjo mau' (1976).
Retomando a parceria com o padrinho
Dias gomes, protagonizou a primeira versão de 'Roque Santeiro', novela que teve
estreia impedida pela censura durante a ditadura militar, em 1975. Dez anos
mais tarde, estrelou a segunda montagem da trama na pele do personagem-título,
ao lado de Regina Duarte (Viúva Porcina) e Lima Duarte (Sinhozinho Malta) — um
marco na história da teledramaturgia nacional.
Ator constante e já consagrado nas novelas,
José Wilker jamais deixava de investir em personagens ousados no cinema.
Alcançou reconhecimento internacional por sua leitura de Vadinho, o vértice
boêmio do triângulo de 'Dona Flor e seus dois maridos' (1976), de Bruno
Barreto. Também integrou o elenco de produções icônicas como 'Xica da Silva'
(1976) e 'Bye, bye, Brasil' (1979), além de dedicar-se a projetos menores nas
telonas, por pura paixão ao meio. Dirigiu e atuou na jornada do personagem
Giovanni Improtta, que transportou-se da novela 'Senhora do destino' (2004) a
um longa-metragem próprio em 2013.
A maturidade lhe trouxe ainda mais
reconhecimento na TV, onde dedicou-se recentemente a papeis biográficos como
Juscelino Kubitschek em 'JK' (2006) e Luis Gálvez, de 'Amazônia' (2007).
Reviveu o inesquecível Zeca Diabo na segunda versão de 'O bem amado' (2011),
uma releitura da obra do amigo Dias Gomes. Também revisitou uma trama do
passado ao assumir o coronel Jesuíno Mendonça no remake de 'Gabriela' (2012),
antes de interpretar o médico Herbert Marques em 'Amor à vida', seu último
papel nas telinhas".
Uma das últimas missões de Wilker nos
cinemas se passou no sertão mineiro, através da obra de Guimarães Rosa. O ator
surgirá nas telonas como o cangaceiro Joãozinho Bem Bem na adaptação de 'A hora
e a vez de Augusto Matraga', conto do autor de 'Sagarana' transformado em longa
sob direção de Vinícius Coimbra. Lançado há dois anos, o filme deve ganhar
distribuição comercial ainda em 2014.
Matéria - Bossueti Alvim - "Portal Uai", veja mais em :
http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/mexerico/2014/04/05/noticia_mexerico,153324/jose-wilker-relembre-os-50-anos-dedicados-a-atuacao-e-direcao.shtml






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