Postado por: Giro do Wal domingo, 12 de janeiro de 2014



- Roberto -

Eu, particularmente, nunca gostei do natal. Acho uma época triste, digam o que quiserem, esse período me traz um aperto ao coração. Talvez isso seja herança de uma criação não cristã, não se espante, caro leitor, não há só uma religião no mundo. Não me entendam mal, sempre admirei muito o homem Cristo, só não gosto de aniversários.
                O pequeno Roberto também não gostava do natal.
                Nunca ganhou nada do que pediu e hoje, no auge da sua infância, encarando seu sétimo natal, não espera mais nada.
                Levando em conta que no primeiro natal que se lembra, há três anos atrás, a criança foi bombardeada, sem piedade, por antialérgicos e meias, é Roberto é alérgico a amendoim e nozes, as meias vieram dos tios, os pais viajavam a trabalho e o presente foi parar na poupança para faculdade.
                No segundo natal, Roberto ganhou um carrinho de bombeiros que atirava água de verdade, tudo bem, é legal e divertido, mas ele queria um lego, daquele que monta a estrela da morte. As vezes, simplesmente, não dá para esconder a frustração. A família nunca tentou entender, afinal o pequeno Beto era muito calado.
“Está triste pela desigualdade no mundo” Dizia o tio mais próximo, todos os parentes suspiravam com um “Ah!...” sofrido. A avó enchia os olhos de lágrima e Beto só pensava em dar uma boa colherada naquele arroz com nozes.
                A criança tem muitos natais pela frente, e ainda virão outros sete, até que ela aprenda a expressar sua opinião. Pois é, Beto, um diálogo pode salvar vidas. Porém, enquanto isso, Betinho agradece os presentes com um sorriso amarelo e os deixa empilhado na estante de madeira, juntando poeira. 



João Bennett um quase goiano, quase ator, quase escritor, quase legal. Tenho direito de permanecer em silêncio, tudo que eu disser pode, e será, usado contra mim.

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